A Pintora
Hoje de tarde
pus uma cadeira no sol pra chupar tangerinas
e comecei a chorar...até me lembrar de que podia
falar sem mediação com o próprio Deus
daquela coisa vermelho-sangue, roxo-frio,cinza.
Me agarrei aos seus pés;
Vós sabeis, Vós sabeis,
só Vós sabeis,só vós.
O bagaço da laranja, suas sementes me olhavam da casca
em concha na mão seca.
Não queria palavras pra rezar,
bastava-me ser um quadro
bem na frente de Deus
pra ele olhar.
Adélia Prado