segunda-feira, 26 de março de 2012




O  eu meu.

Está chovendo lá fora, e na saudade dessa conversa me brotam poemas...

“Quando a deixo entrar, se torna parte minha”

Lendo o poema que cai do céu, mergulho em nostálgicas sensações e
lembranças...
 Prosa em poema de água doce. .

"Raios de luz inexplicáveis clareando ao redor”

Para que palavras se o poema entra pelo  olhar?
Talvez para que possa saborear vida em palavras guardadas.
Velhos presentes,...
 Poemas originais nascendo de novo.
 Eu - alma,  tornando presente  o gosto, a cor e suas nuances.

Neste poema chuvoso que vejo pela janela, observo a falta de crianças fazendo
algazarras... o poema se parece entristecido pela falta delas...
Crianças já não correm mais na chuva?
Talvez devo esperar pelas chuvas da primavera.

Ah, como hoje estou espelho me vendo dentro desse poema, oscilando entre
as visões de fora e minhas coisas de dentro.


Margareth 

sábado, 10 de março de 2012

Dia "D" Solidão




Tinha passado um tempo, longo tempo (à quem sente).
Seria perfeito e a tarde atropelou-se em fazeres ...

o vestido era novo
o perfume era raro
as unhas vermelhas
e a sobremesa...haa, veio de longe a receita.
a mãe foi levada embora (para não atrapalhar)
o filho foi por conta própria, achava a causa "nobre".

Só faltava colocar os sapatos...

No cenário pronto, um espaço de solidão.
e
Doeu algumas palavrinhas:... depois, passadinha.
É, sei, são tolas e ... tão poucas.

Desculpe, não é culpar.
Talvez colocar no outro nosso próprio desejo.
Ou, essa capacidade (imbecil) de querer o todo, o completo...
Entendo, isso não existe. Apenas pode ser real e espontâneo dentro do sentir.

(escrever a alguns, é sublimar)


Margareth Navarro

quinta-feira, 8 de março de 2012



Filhos do caos em um dia normal.



06h10min toca o despertador.

Olhos de mãe embriagados em sono relutam no primeiro salto do dia. Filhos devidamente chacoalhados e arrancados da cama quente gemem suas preguiças enquanto são vestidos de escova dental nas mãos.

Enquanto a cafeteira prepara o café, a mãe põe na mesa o copo com leite (quase cheio) de cada filho e alguns pães pré-fabricados (empacotados) e a margarina que (ufa) ainda tem um tico!

A ela (mãe) sobrará o café preto, mas que mãe precisa mais que isso?

No banheiro na ansiedade da pressa se percebe frente ao espelho - os cabelos mal tingidos fazem despontar em primeiro plano os fios brancos que insistem manterem-se rebeldes

O banho apressado quase a faz esquecer-se do desespero que lhe dá ao perceber o restolho de shampoo e falta do creme: “deixamos a poesia do cabelo macio para o final de semana, onde tudo correndo bem poderei ir às compras”. E enquanto corre a água no corpo, lembra-se também que ainda não pagou a conta da luz nem do condomínio, mas o aluguel do mês passado, ah, esse  já está pago! E sorri! Sente-se também orgulhosa por não ter mais telefone e nem a conta deste.

7:20

Crianças entregues a escola.

O foco agora está todo voltado aos esperados e batalhados negócios, pelo menos até às 11h45min (saída dos filhos na escola)

Ana é corretora de imóveis, 36 anos, divorciada. Não recebe pensão do marido o que torna mais complicado e cansativo prover o sustento de Eduardo e Camila (seus filhos) e manter as sobrancelhas e unhas em dia.

Em frente ao prédio combinado, Ana espera o cliente. Passa das 11:00 horas e o tempo restrito começa a apertar seu coração...

Mas que mãe precisa saber que tem coração? Basta saber que tem filhos!

12:15

Com a respiração ofegante em culpa, Ana a mãe, estaciona em frente à escola e lá estão eles... Carinhas de fome em olhares distantes não os fazem perceber o primeiro olhar lacrimoso (do dia) da mãe.

Já em frente à casa da avó dos meninos, a mãe despede-se dos filhos com beijinhos rápidos, tanto quanto sua necessidade em plantar e colher da sua agenda os resultados.  Sai em disparada, lembrando-se que precisa abastecer o carro sentindo-se de certa forma aliviada porque ainda poderá usar os últimos créditos do cartão para isso. Lá mesmo no posto de gasolina, pede um salgado e enquanto engole sua primeira refeição do dia, planeja suas estratégias profissionais.

E assim segue o dia, parecidos (quando normais) com todos os outros que já ocorreram. À tardinha o corpo restante de Ana (porque parte do corpo é pó) agradecida, recolhe seus filhos para si e começa o ciclo noturno de trabalho: cuidar da casa, do jantar, da roupa, dos conselhos e tarefas dos filhos e de preparar o próximo dia que por “graça” haverá de ocorrer. Não vamos falar nesse texto sobre os dias “anormais” onde, por exemplo, as mães não têm onde deixar seus filhos, ou um ou outro está doente e sem plano de saúde etc.

Creio que algumas mães ao lerem esse texto se perceberão nele. Algumas sentirão o cansaço que esse trajeto/projeto de vida faz acontecer além  corpo e maior na alma. Afinal, corpo de mãe diante de corpo de filho, sequer precisa existir!

Fome de mãe

Dores de mãe

Saudades de mãe

No corpo da mãe é corte pequeno!

Mãe normal que ama filho é no corpo do filho que sente maior dor!

E na fome do filho

Na lágrima  do filho

No desejo do filho

Que ela sofre maior corte e tem maior força!

E luta e vence porque amor de mãe, assim como todo amor é potência, vencedor em si mesmo!



Margareth P. Navarro

domingo, 4 de março de 2012


Imagem de despedida do japão...

Agora, tenho em mim novas impressões.

Podemos ler em livros, ouvir de outros...porém, é provando o gosto é sentindo o cheiro, é olhando de perto que as marcas dessas novas impressões em nós, fica mais próximo  do que podemos chamar de "verdades".
Somos todos irmãos dividindo um mesmo planeta, usufruindo de coisas parecidas e pela cultura a forma como isso acontece, se torna tão diferente.

Vi a mãe japonesa repreender o filho pequeno que chorava (aparentemente) por manha. Ela fez isso falando ao ouvido do filho em tom muito baixo e cobrindo a boca para que a conversa ficasse apenas entre os dois. Sim, a criança engoliu o choro e se acalmou. Pensei que no futuro provavelmente ele usará a mesma receita para tratar com seus filhos em público e achei isso "interessante".

Várias vezes andei com minha filha por ruas movimentadas  na grande cidade  de
Nagoya e por várias vezes quase fui atropelada por pessoas que andavam de bicicleta nas calçadas. Não posso afirmar, mas aparentemente a maioria delas eram pessoas de idade avançada. Aqui, em sua maioria, idosos são ágeis e tem pernas fortes. Estão por toda a parte: fazendo compras sozinhas nos mercados, andando com seus cachorros nas madrugadas frias (com lanternas nas mãos), ficam em pé no trem sem se segurar, e não gostam quando lhe oferecemos nosso lugar no assento. Parecem se sentir ofendidos!
Idosos bem alimentados,independentes e ágeis... ah, isso me pareceu espetacular!

Algo que chama atenção por aqui também, é a limpeza. Em especial, nas ruas onde quem caminha por elas são em sua maioria os próprios japoneses...
Em ruas onde se encontram fabricas que usam a mão de obra de brasileiros e alguns outros estrangeiros, me deparei com placas pelo caminho onde estava desenhado "flores" derramando lágrimas. Alguns moradores (japoneses) se reúnem de quando em quando, para recolher o lixo jogado nessas ruas. Não sei porque, mas isso não me surpreendeu e sim, me causou grande incomodo!

Ah, não posso me esquecer de falar do silencio presente em vários locais. Nos trens, o que se escuta é o barulho que o trem provoca. No mais, pessoas com olhos fechados aproveitando o balanço para descansarem até  chegar ao destino. Essa capacidade de relaxamento que se permitem e permitem ao outro, me pareceu muito interessante!

Poderia ficar aqui escrevendo muitas outras boas e outras nem tanto, impressões. Mas finalmente, falarei de uma das melhores impressões que me ficou na memoria: O olhar de um de três cãezinhos (Corgi) que passeavam com seu dono que apressado e sério fazia-os marchar em fila. De vez em quando, um deles  virando a cabecinha para trás, me lançava um olhar cheio de curiosidade e afeto, parecendo querer retribuir os beijos que eu lhes mandava.

Agora, preciso terminar de arrumar as malas e saborear as impressões das últimas horas na presença da minha filha que fica.
Essas, terei que contar depois.

Margareth  Navarro