Blog da Maggie
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
A Pintora
Hoje de tarde
pus uma cadeira no sol pra chupar tangerinas
e comecei a chorar...até me lembrar de que podia
falar sem mediação com o próprio Deus
daquela coisa vermelho-sangue, roxo-frio,cinza.
Me agarrei aos seus pés;
Vós sabeis, Vós sabeis,
só Vós sabeis,só vós.
O bagaço da laranja, suas sementes me olhavam da casca
em concha na mão seca.
Não queria palavras pra rezar,
bastava-me ser um quadro
bem na frente de Deus
pra ele olhar.
Adélia Prado
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Arco-iris de domingo
Tenho em minha sala, uma fabrica de arcos-iris...sim, eles são muitos e se movimentam por todas as paredes. Estão em formatos diferentes, uns em semi-círculos outros em círculos completos. Outros ainda, são pequenos pontos, quem sabe esperando seu momento de crescer. Eles chegam pela manhã em dias de sol dourado! Entram sem pedir licença como se tivessem a chave dessa liberdade. Parecem sentirem-se a vontade para nessa casa fazer a festa e passar algumas horas na companhia uns dos outros. Me sinto lisonjeada, gratificada em poder participar dessa festa. Mais ainda, encantada com esses amigos que chamo de pontos- de- luz. Compreendo que em dias de chuva, ou tempo nublado eles permaneçam em suas casas saboreando a virtude de suas solidões.
Dia desses, ao receber a visita de um sobrinho de 4 anos, pedi a ele que colhesse alguns arco-iris das paredes, para que pudêssemos fazer um suco de bom dia...o que prontamente ele se ocupou em fazer: pegou um pote de vidro com tampa e subindo nas cadeiras, nas poltronas e onde mais conseguisse, recolheu vários deles e assim, juntando alguns morangos maduros e um pouco de leite, pudemos saborear juntos o gosto que tem um arco-iris.
Pedro,, me questionou como eles vinham parar aqui na sala, e eu respondi a ele que para arco-iris vir na nossa casa é preciso ter um lustre com gotas de cristal, um sol dourado no céu, uma janela com as cortinas abertas e vidraças e cristais limpos. Em seguida me perguntou se poderia levar alguns deles para sua casa, para que sua mamãe pudesse fazer outro suco para ele. Claro que sim, disse a ele, colha todos os que vc quiser. E assim, lá foi ele com cuidado colher e prender o brilho do sol no pote. E seguiu viajem feliz da vida com o tesouro nas mãos.
A poeira da cultura da vida tem por habito cobrir o brilho de todas as coisas.
Na nossa essência mora a luz que resplandece do lado de fora, (seria o divino para muitos) e para que nosso brilho interior promova arco-iris do lado de fora, é preciso se lembrar sempre que o brilho está lá, nunca se ausenta. Somos nós quem não mantemos nossas janelas limpas e abertas. E ainda, somos nós que mesmo podendo ser arco-iris preferimos muitas vezes esconder o ouro-puro. Cores e brilhos só podem ser vistos por aquele que se permitem ver.
Margareth Navarro
domingo, 7 de setembro de 2014
Mas hoje é domingo
Mas hoje é domingo
Que danado esse tempo...escorre feito água
As vezes calmo e constante, noutras, furioso em fome de pressa.
Nos come por dentro, mais ainda q do lado de fora.
Em todo tempo o tempo deixa sulcos q o próprio tempo cicatriza.
Cantamos o tempo em tantos tempos...
O passado projetou nosso futuro e esse futuro é o presente q acabou de passar.Caracas, afinal onde você mora tempo?
Moro do lado, nos entre tantos, nos desconhecidos, no q se anseia, no q ampara e desampara. Mora na fé e na falta dela. Além do mais,
moro onde quiser e na hora q bem entender! Sou o dono do tempo em todo tempo! Horas!!
Te tenho uma pergunta: porque me escolheu feminina? já q foi você tempo, q parou o tempo na minha fecundação.
(...)
Ah, como te acho arrogante...se te pegar quem vai te comer sou eu, como todinho, quem sabe fico eterna. Mas,
no entanto, sei q é de tempo q irei morrer .
Claro, posso te dar enganadinha...tomar um remedinho e ficar mais um tempo te comendo, tempo!
(te vejo rir)
Que cara será tem o tempo? A cara q te dou? confesso achar q as vezes te acho é cara de pau.
(riu de novo)
Será mesmo q sou sua escrava?
Não seria você tempo, à trabalhar por mim?
Vou parando por aqui, porque o tempo me chama na cozinha...
E é nessa simples percepção q posso compreender algo q o tempo me sopra
aos ouvidos:
Que vivamos sem tempos mortos.
Margareth Navarro
Que danado esse tempo...escorre feito água
As vezes calmo e constante, noutras, furioso em fome de pressa.
Nos come por dentro, mais ainda q do lado de fora.
Em todo tempo o tempo deixa sulcos q o próprio tempo cicatriza.
Cantamos o tempo em tantos tempos...
O passado projetou nosso futuro e esse futuro é o presente q acabou de passar.Caracas, afinal onde você mora tempo?
Moro do lado, nos entre tantos, nos desconhecidos, no q se anseia, no q ampara e desampara. Mora na fé e na falta dela. Além do mais,
moro onde quiser e na hora q bem entender! Sou o dono do tempo em todo tempo! Horas!!
Te tenho uma pergunta: porque me escolheu feminina? já q foi você tempo, q parou o tempo na minha fecundação.
(...)
Ah, como te acho arrogante...se te pegar quem vai te comer sou eu, como todinho, quem sabe fico eterna. Mas,
no entanto, sei q é de tempo q irei morrer .
Claro, posso te dar enganadinha...tomar um remedinho e ficar mais um tempo te comendo, tempo!
(te vejo rir)
Que cara será tem o tempo? A cara q te dou? confesso achar q as vezes te acho é cara de pau.
(riu de novo)
Será mesmo q sou sua escrava?
Não seria você tempo, à trabalhar por mim?
Vou parando por aqui, porque o tempo me chama na cozinha...
E é nessa simples percepção q posso compreender algo q o tempo me sopra
aos ouvidos:
Que vivamos sem tempos mortos.
Margareth Navarro
domingo, 2 de setembro de 2012
Assim como a Rosa não é a rosa do pequeno príncipe
Devo dizer que não sou Clara, nem Ana.
Existe em cada um, parte de muitos personagens...
Mora em toda mulher, uma parte da Rosa, da Ana, da Clara e muitas Marias.
Tirem-nos a linguagem da comunicação e vês o que nos sobra!
No ser não há absolutismos, mas a busca por ele.
Mais profundo e feliz (talvez) possa vir a ser aquele que se apoderou da poesia
da boca do outro, levando para dentro de si e depois repartindo.
Nesse retorno, as nuances da miscigenação interior são ainda mais preciosas.
Devo dizer que não sou Clara, nem Ana...
Sou parte menino que carrega água na peneira (Manoel de Barros)
Sendo árvore, fiz amizades com as borboletas (Manoel de barros)
Sim, tenho parte corpo, Alma, espírito
Mas...
Vejo flores nascerem em pedras, assim como vejo pedras nascerem
em corações.
No poema que sobrevive,
“Outros passarão, eu passarinho” (M. Quintana)
Porém, não se culpe, muito menos se entristeça...
Na vida de muitos, serei apenas
“Passarinho, Passarei!”
Margareth Navarro
Mais profundo e feliz (talvez) possa vir a ser aquele que se apoderou da poesia
da boca do outro, levando para dentro de si e depois repartindo.
Nesse retorno, as nuances da miscigenação interior são ainda mais preciosas.
Devo dizer que não sou Clara, nem Ana...
Sou parte menino que carrega água na peneira (Manoel de Barros)
Sendo árvore, fiz amizades com as borboletas (Manoel de barros)
Sim, tenho parte corpo, Alma, espírito
Mas...
Vejo flores nascerem em pedras, assim como vejo pedras nascerem
em corações.
No poema que sobrevive,
“Outros passarão, eu passarinho” (M. Quintana)
Porém, não se culpe, muito menos se entristeça...
Na vida de muitos, serei apenas
“Passarinho, Passarei!”
Margareth Navarro
Tenho servido a vários propósitos: preencher vazios, confortar almas tristonhas... e quem sabe até, ser figura de provocação de emoção. Em cada uma dessas intervenções, deixei pedacinhos de meu eu caleidoscópio...pedacinhos sim, porém inteiros. Talvez seja apenas impressões... Mas como sou poema, tudo me gruda, tudo me causa. Serei por ora, poema de "vento"...buscarei cada folha perdida e entregarei aos pés da cepa. Minha videira continua firme/ forte pois é plantada em terra profunda tendo a sua volta um rio de água pura.
Margareth N.
Margareth N.

Nem todo abraço é um abrigo
Em meio a tantos afetos, um olhar recebe o brilho dos meus.
Em meio a tantos abraços, um único provoca calor.
Nos tantos sorrisos, o nosso é timido, delicado.
A fidelidade de um querer por completo, está além palavras...
Em meio a tantos afetos, um olhar recebe o brilho dos meus.
Em meio a tantos abraços, um único provoca calor.
Nos tantos sorrisos, o nosso é timido, delicado.
A fidelidade de um querer por completo, está além palavras...
mora no espaço do inexplicável cheio de esperança.
Margareth N.
Margareth N.
Tenho servido a vários propósitos: preencher vazios, confortar almas tristonhas... e quem sabe até, ser figura de provocação de emoção. Em cada uma dessas intervenções, deixei pedacinhos de meu eu caleidoscópio...pedacinhos
Margareth N.
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