Tenho em minha sala, uma fabrica de arcos-iris...sim, eles são muitos e se movimentam por todas as paredes. Estão em formatos diferentes, uns em semi-círculos outros em círculos completos. Outros ainda, são pequenos pontos, quem sabe esperando seu momento de crescer. Eles chegam pela manhã em dias de sol dourado! Entram sem pedir licença como se tivessem a chave dessa liberdade. Parecem sentirem-se a vontade para nessa casa fazer a festa e passar algumas horas na companhia uns dos outros. Me sinto lisonjeada, gratificada em poder participar dessa festa. Mais ainda, encantada com esses amigos que chamo de pontos- de- luz. Compreendo que em dias de chuva, ou tempo nublado eles permaneçam em suas casas saboreando a virtude de suas solidões.
Dia desses, ao receber a visita de um sobrinho de 4 anos, pedi a ele que colhesse alguns arco-iris das paredes, para que pudêssemos fazer um suco de bom dia...o que prontamente ele se ocupou em fazer: pegou um pote de vidro com tampa e subindo nas cadeiras, nas poltronas e onde mais conseguisse, recolheu vários deles e assim, juntando alguns morangos maduros e um pouco de leite, pudemos saborear juntos o gosto que tem um arco-iris.
Pedro,, me questionou como eles vinham parar aqui na sala, e eu respondi a ele que para arco-iris vir na nossa casa é preciso ter um lustre com gotas de cristal, um sol dourado no céu, uma janela com as cortinas abertas e vidraças e cristais limpos. Em seguida me perguntou se poderia levar alguns deles para sua casa, para que sua mamãe pudesse fazer outro suco para ele. Claro que sim, disse a ele, colha todos os que vc quiser. E assim, lá foi ele com cuidado colher e prender o brilho do sol no pote. E seguiu viajem feliz da vida com o tesouro nas mãos.
A poeira da cultura da vida tem por habito cobrir o brilho de todas as coisas.
Na nossa essência mora a luz que resplandece do lado de fora, (seria o divino para muitos) e para que nosso brilho interior promova arco-iris do lado de fora, é preciso se lembrar sempre que o brilho está lá, nunca se ausenta. Somos nós quem não mantemos nossas janelas limpas e abertas. E ainda, somos nós que mesmo podendo ser arco-iris preferimos muitas vezes esconder o ouro-puro. Cores e brilhos só podem ser vistos por aquele que se permitem ver.
Margareth Navarro
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